Dicas de confecção

Dicas de confecção

Nos primeiros tempos convém manter tudo muito simples. Confeccionem pratos com alimentos com os quais já estão familiarizados e optem por sopas, saladas, sandes, etc. Quando já se sentirem mais há vontade avancem para pratos mais elaborados com ingredientes mais arrojados respeitando, tanto quanto possível, o método do prato.

Na maioria das vezes o que dá sabor a uma receita são as especiarias e prova disso é o facto de haver muitas receitas omnívoras que são perfeitamente adaptadas a vegetarianos sem haver perda significativa de sabor. Hoje em dia as opções já são tantas que em certos casos consegue-se recriar não só o sabor mas também texturas.

Livros de receita podem ser uma mais valia para quem está a iniciar e por isso, se sentem que necessitam, apostem num bom livro. Eu comprei um só livro e foi o “Celebrar com vegetais” do Chef Yotam Ottolenghi. Embora tenha algumas receitas ovolactovegetarianas consegue-se adaptar todas as receitas. Claro que seguir o meu blog e as minhas redes sociais também será uma preciosa ajuda.

Explorem as potencialidades dos alimentos ao máximo. Como já referi anteriormente eu prefiro usar o alimento em bruto e depois transformá-lo. Por exemplo, o caju é uma alimento super versátil na cozinha à base de vegetais. Com ele podemos fazer recheios de bolos, coberturas, molhos, gelados, manteiga, bebidas vegetais, natas de culinária ou podemos usar simplesmente crus ou tostados. Embora seja caro é um produto que me oferece inúmeras possibilidades evitando gastar dinheiro em outros produtos.

Ainda explorando todas as potencialidades do alimento, aproveitem o alimento em pleno caso seja aconselhável. Rama de beterraba, de couve-flor ou de brócolos, casca de banana, o alho-francês por inteiro, são exemplos que coisas que descartamos mas que podem dar outra refeição ou enriquecer caldos e sopas. No blog têm o exemplo das pataniscas de rama de cenoura.

Uma questão que me colocam muito é se como só cereais integrais. Não, na minha dispensa há todo o tipo de cereais. Embora os refinados tenham uma má conotação nutricional muitas famílias só têm acesso a este produto e uma maneira de aumentar o seu valor nutricional é cozinhar junto com outros alimentos de valor nutricional superior como vegetais, especiarias ou outros cereais integrais. Assim conseguem poupar nos cereais integrais que são mais caros e aumenta o valor nutritivo da vossa refeição. Exemplos de combinações é por exemplo um pão com farinha de trigo refinada e adicionar farelo, gérmen de trigo, sementes ou um arroz branco com quinoa, vegetais ou semente.

Trabalho de casa é recomendado e ajuda a poupar tempo e dinheiro. Existem determinadas preparações que podem ser armazenadas e usadas mais tarde ajudando naqueles momentos em que o tempo é escasso. Eu não gosto de fazer ementas semanais, prefiro comer por intuição em vez de me forçar a seguir um cardápio mas há coisas que faço questão de ter sempre prontas como é o caso do molho de tomate que por ser já tão rico em ingredientes basta cozer uma massa e juntar ou pode servir para uma sopa ou como base de outros tantos pratos como por exemplo, a bolonhesa de lentilhas ou as sarmas. Também gosto de ter sempre um frasco com cebola e alho picado em azeite para usar quando precisar de um refogado. As leguminosas eu faço em grande quantidade e costumo congelar sem líquido ou se for para usar dentro de 2 a 3 dias no frigorífico em frasco de vidro e com água limpa. Congelar sem água vai permitir que a descongelação seja quase imediata, bastando passar por baixo de água corrente morna. Descarto quase sempre a água de cozedura, embora possa conter nutrientes eu não gosto do sabor que acrescenta às receitas.

O que vos quero passar é paixão pelos alimentos e pela cozinha. O trabalho da cozinha foi sempre menosprezado, associado a classes menos favorecidas ou tido como uma tarefa enfadonha, e penso que isso acabou por ditar o fim do acto de cozinhar. Tento demonstrar o contrário. Cozinhar pode trazer-nos o melhor de dois mundos: pode ser uma oportunidade para relaxar e apreciar o acto da criação, e pode ser uma oportunidade de partilha, com familiares ou amigos. É importante religarmo-nos ao acto de cozinhar e de nutrir o nosso corpo e alma.