Escolher recusar

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Quando deixei de consumir alimentos de origem animal outras questões, além da alimentação, se levantaram. Se por um lado queremos salvar todos os animais da linha de abate, por outro continuamos com o nosso consumismo adquirindo produtos com politicas ambientais muito pouco transparentes, produtos com um tempo de vida útil muito reduzido e produtos que, quer no início, quer no fim da sua vida, causam impacto no habitat natural de milhares de espécies. Se queremos salvar a fauna devemos também preservar a flora.  Para mim a nossa consciência alimentar e a protecção ambiental andam de mãos dadas.

No início da minha jornada, quando comecei a pesquisar receitas vegetarianas, reparei que um bom número de pessoas consumia muitos processados. Além destes produtos terem uma quantidade apreciável de açúcar adicionado e aditivos, passo a redundância, que em nada nos favorece a saúde, vêm em embalagens. Embalagens que só contribuem para o desmantelamento de florestas e que demoram anos a degradar-se. A propaganda alimentar sempre teve muita influência sobre o consumidor e, apesar das novas consciências alimentares, ela continua a exercê-la. Se até aqui o leite era o alimento que não poderia faltar nas nossas casas, hoje são as comidas fortalecidas com proteína, os suplementos, as comidas sem isto e sem aquilo, misturas de coisas estranhas vindas do oriente e dos confins da terra, e outras tantas que prometem salvar-nos quando o tempo é escasso.

Recentemente comecei também a perceber que no mundo da blogosfera e dos "fazedores de tendências" é fácil entrar em exageros e ficarmos deslumbrados com tanta oferta, entrando numa espécie de consumismo dissimulado. Há uns dias dei por mim a não ter espaço no frigorífico e na despensa para colocar verdadeiros alimentos, alimentos que sempre defendi desde o primeiro dia em que criei este projeto, uma vez que estavam atolados de produtos embalados que me foram oferecendo. Percebi que estava na altura de recusar cordialmente. Não se trata de um "não" de ingratidão, trata-se do "não" relacionado ao desperdício zero. Reconheço a qualidade, pelo menos de alguns, mas não lhes reconheço a necessidade, e sobretudo representam a desconexão com os elementos primordiais da nossa alimentação que promovo como estilo de vida e que procuro inspirar outros a promover na sua.

Inocentemente, ignorando a existência do #julhosemplastico, este meu "não" será o meu maior contributo para este "movimento".