De onde vêm os cacarecos que uso em fotografia?

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Eu sei que hoje em dia há uma necessidade extrema de adquirir objectos que sejam instagramáveis, mas isso leva a um consumismo perigoso e, como já escrevi em outros artigos, o planeta está a abarrotar de tralha. 

Quando criei o blog a fotografia não era uma parte importante do projecto, embora soubesse, e sei, que os olhos também comem. Assim, fui usando sem grande critério o que já tinha cá por casa e que era um serviço de loiça que já estava na família há alguns anos. Na verdade quando viemos viver sozinhos pouco ou nada adquirimos de novo. Inevitavelmente fui aprendendo mais sobre fotografia e aprendi que a louça que se escolhe influência, e muito, o resultado final. 

Com a intenção de renovar o meu stock de cacarecos, visitei algumas lojas de decoração em busca dos materiais perfeitos e curiosamente todas as idas foram infrutíferas. Foi então que entre muitos vídeos sobre fotografia aprendi algo importante que é, encontrar a nossa própria identidade, a nossa assinatura, e isso passa muito por escolher materiais únicos. E onde é que podemos encontrar materiais únicos? Eu encontrei em feiras de velharias e nas malas da minha avó. Feliz ou infelizmente a minha família tem dificuldade em se desfazer de tralha e se antes criticava, hoje agradeço. 

Nas minhas fotos há pratos com mais de 100 anos e outros tantos pintados à mão pela minha avó, serviços da Vista Alegre, que às tantas nem a própria se lembra de fabricar, que foram comprados a muito custo pela minha família. Algumas vezes, contam eles, iam comprando os conjuntos aos poucos, este mês a chávena, no próximo o pires até terem os serviços completos. Temos a mania de criticar os mais velhos pela incapacidade deles de se desfazerem de coisas mas esquecemo-nos, por vezes nem sabemos, da dificuldade que passaram para as adquirir. 

Vivemos na era do descartável em que tudo é fugaz. Hoje gostamos muito de algo mas amanhã decidimos que queremos noutra cor, noutro padrão, noutro material, noutra geometria. E por vezes os instagrams que entram todos os dias no nosso dia-a-dia dão uma ajuda preciosa nessa conduta. 

Portanto, o meu conselho será para que procurem a vossa identidade própria e tenham sempre presente que é preferível usarem o que já têm do que contribuírem para o aumento de desperdício.