Desafio: Um ano sem comprar roupa! #1anosemnovostexteis

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O nosso estilo de vida cada vez mais descartável está a fazer aumentar todo o tipo de resíduos e a resposta para a sua gestão está a mostrar-se inadequada, insuficiente e em alguns casos inexistente. Já há uma maior consciencialização do impacto das nossas escolhas, mas ainda assim há um longo caminho a percorrer. Aos tantos "R" relacionados com o ambiente devíamos juntar mais um que é o de Reeducar. E reeducar todos, desde professores a alunos, filhos, pais, etc. A educação ambiental que se pratica não sai do registo de reduzir o tempo no banho e deixar uma garrafa de água no autoclismo.

Hoje em dia nas redes sociais fala-se muito no plástico e por conseguinte produtos como os copos e talheres de plástico, as palhinhas e as garrafas estão na mira dos consumidores mais atentos e preocupados. Esquecemo-nos muitas vezes de tantos outros produtos, como por exemplo dos produtos cosméticos, que na sua maioria apresenta-se em embalagens de plástico, já para não falar dos seus composto químicos que demoram anos a degradarem-se, os POPs (Poluentes Orgânicos Persistentes), e representam com certeza uma boa fatia dos resíduos urbanos e industriais. Curiosamente, no dia em que escrevo este artigo, recebo uma foto a dar-me conta de um problema ainda maior. 

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Parece que afinal as palhinhas constituem apenas 0,03% do lixo introduzido anualmente nos oceanos, enquanto que redes de pesca contribuem com 46%, sendo que a maior parte do restante provém de outros materiais de pesca. Mas não quero com isto dizer que devemos desistir do que já se conquistou em relação às palhinhas e outros materiais. Não considero que seja um activismo infrutífero, mas sim que as mudanças têm de começar por algum lado, mesmo que não seja pelo mais impactante.

Outros tantos produtos igualmente importantes e que não são ainda muito discutidos são os resíduos electrónicos e os resíduos têxteis. A quantidade de lixo electrónico no mundo aumentou 8% entre 2014 e 2016, segundo um relatório divulgado pela União Internacional de Telecomunicações das Nações Unidas. De acordo com os dados apresentados pelo estudo, no ano de 2016 a quantidade de aparelhos com baterias ou fichas eléctricas que foram deitados ao lixo ascendeu a 44,7 milhões de toneladas, abrangendo desde painéis solares a telemóveis, passando por frigoríficos, televisores e computadores, e apenas 20% desse total foi reciclado.

"Um estudo da Comissão Europeia de 2013, citado pelo Relatório “Less is more”, estimou que 5,8 milhões de toneladas de vestuário são deitadas fora pelos europeus, todos os anos. Deste número, apenas um quarto é reciclado por organizações de solidariedade e indústrias. Apesar dos resíduos têxteis poderem ser convertidos em panos de limpeza e produção de fibras e aplicados na indústria do papel, os 4,3 milhões de toneladas são desperdiçados."

E é neste último que me quero focar. Recentemente uma amiga minha, que resolveu doar uma boa parte do seu guarda-roupa para poder abraçar uma vida mais minimalista, deparou-se com uma situação caricata. Residente na zona da grande Lisboa, entrou em contacto com algumas instituições e a maioria disse que não precisavam, tinham os armazéns cheios. Acredito que isto não será uma realidade por todo o país, até porque na minha área de residência continuam a aceitar.

Comecei então a fazer algumas pesquisas sobre os resíduos têxteis e devo confessar que o impacto que estamos a causar no planeta é pior do que eu imaginava. Nem sei por onde começar, mas desde trabalho infantil à escravatura, passando pela contaminação de lençóis freáticos e produção de gases nocivos, tanto durante o fabrico como no fim de vida, pois muita é queimada, e não menos importante são todos os recursos necessários à sua produção.  Embora não apareçam fotos de oceanos de roupa, a verdade é que este tipo de material também causa impacto na vida aquática. Sempre que lavamos roupa de fibras sintéticas, sejam elas de material reciclado ou novo, são libertadados milhares de  microplásticos que depois seguem o seu curso para rios e oceanos.

A maioria da roupa fabricada pelas grandes empresas de baixo-custo é feita de plástico como o poliéster, ou de combinações como poliéster e algodão, que não pode ser reciclada. Muitas marcas associadas ao "fast fashion" e "low cost" já fazem campanhas de recolha de roupa velha, oferecendo em troca um vale de desconto para comprarem roupa nova. Pois. A mim parece-me um ciclo vicioso, e na verdade só uma ínfima parte do que recolhem é reciclado. Um caso de "green washing", conceito que irei deixar para um outro artigo.

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Basta observar as redes sociais para nos apercebermos do consumismo excessivo e generalizado, não só em roupa mas em tudo. Depois de tudo o que li e vi, a minha posição vai ser só uma, numa forma de activismo pessoal contra todo este consumismo vou deixar de comprar novos têxteis durante um ano. E com isto refiro-me a tudo: roupa, roupa do lar, sacos, saquinhos e sacolas, sejam eles produtos vegan ou com políticas ambientais conscientes. Há muito para Reutilizar, tenho a certeza. O planeta está a rebentar pelas costuras!

Junta-te a mim neste movimento e se aderires usa a hashtag #1anosemnovostexteis.

 

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Poluentes_org%C3%A2nicos_persistentes
http://noctula.pt/residuos-texteis-textil-europa/
https://www.jn.pt/mundo/interior/producao-de-lixo-eletronico-esta-a-crescer-e-poe-em-causa-ambiente-e-saude---onu-8983764.html
http://www.ecap.eu.com/
http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-01-10-230-toneladas-de-roupa-vao-para-o-lixo#gs.ohogINM
https://www.youtube.com/watch?v=elU32XNj8PM
http://www.fastfashion-dieausstellung.de/en/
https://www.youtube.com/watch?v=bOOI5LbQ9B8
https://www.bbc.com/news/science-environment-40498292
https://www.greenpeace.org/international/story/6956/what-are-microfibers-and-why-are-our-clothes-polluting-the-oceans/https://medium.com/the-mission/why-your-future-wardrobe-looks-more-like-a-uniform-46cf630a3949