Alimentos processados

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Quando mudei de alimentação falava-se muito, e ainda se fala, na comida processada, que era algo terrível e que devíamos evitar a todo o custo. Na verdade a questão não é assim tão simples e com o tempo aprendi que não devemos por tudo no mesmo saco. Senão vejamos: o azeite é um alimento processado e, no entanto, não só é inofensivo como é unanimemente recomendado como uma das mais saudáveis fontes de gordura.

Assim sendo, se nem tudo o que vem numa embalagem é necessariamente mau, como poderemos avaliar a qualidade de um produto? A resposta está à vista. Através do rótulo! Ele é o nosso melhor amigo na hora de escolher das prateleiras o que queremos levar para casa. E já que estão disponíveis por imposição legal, deveríamos aprender a interpretá-los e tirar o melhor partido.

Quando falamos de "alimentos processados", embora não exista uma classificação oficial, importa compreender o grau em que os podemos encontrar. Geralmente aceitam-se a designação de: minimamente processados, processados e ultra-processados.

Nos minimamente processados incluem-se os alimentos que sofreram uma transformação mínima, como farinhas, arroz e massas integrais, café, óleos, sementes, fermentados,  etc. Geralmente os processos associados são, filtragem, moagem,  congelamento,  secagem, coagulação ou até a fermentação. Nunca têm uma lista de ingredientes extensiva e geralmente não sofreram adição de gorduras, açúcares ou sal.

Os processados são todos aqueles que são constituídos por uma lista mais extensa de ingredientes, embora acessíveis e facilmente identificáveis, incluindo, habitualmente, gorduras, açúcares ou sal, e aditivos como conservantes e antioxidantes. Alguns exemplos de alimentos processados são algumas refeições pré-cozinhadas, pães industrializados, algumas bolachas, batatas fritas, etc. Embora comparativamente mais simples, incluem-se neste grupo os alimentos como o açúcar, farinhas e arroz refinados, que devido ao processo de "limpeza" a que são sujeitos são também destituídos do seu valor nutricional original.

É nos ultra-processados que encontramos aqueles produtos que queremos, com toda a certeza, erradicar da nossa alimentação diária. Associados estão todos os "alimentos" que na sua composição contêm quantidades de gorduras, açúcares e sal que ultrapassam os limites recomendáveis, principalmente quando consumidos regularmente, e além disso uma lista apreciável de aditivos alimentares: conservantes, antioxidantes, emulsionantes, estabilizantes, espessantes, gelificantes, corantes, edulcorantes, intensificadores de sabor. Não é simples dar exemplos desta categoria sem falar das marcas que nos são familiares. Alguns destes produtos são tão pouco naturais, que tenho dificuldade em nomeá-los a não ser pela marca por que são conhecidos. É importante que dentro destas gamas de produtos, a consumir-se, se procurem aqueles cuja composição é a mais simples e natural: refeições pré-cozinhadas, cereais matinais, bolachas, snacks, refrigerantes, doces.

Convém referir que nem todos os aditivos alimentares são prejudiciais. Por exemplo o E-202, usado como conservante, corresponde a "sorbato de potássio", um composto que impede o aparecimento de fungos e que se encontra naturalmente em algumas frutas. Em todo o caso, ingredientes cuja designação nos é totalmente estranha devem suscitar sempre a nossa curiosidade, que facilmente se resolve com uma pesquisa.

A indústria alimentar procura incessantemente diferentes formas de chamar a atenção do consumidor para os seus produtos, seja através das embalagens apelativas, de inclusão de expressões que evocam confiança na sua origem, quase sempre sem qualquer fundamento ou ligação com a realidade, do marketing e as promessas de corpos perfeitos, famílias felizes e tempo livre, mas é no rótulo que está uma boa parte da verdade, e é nele que devemos focar a nossa atenção. Vamos chegar à conclusão, muitas vezes, que estamos a pagar um preço elevado pelo valor nutricional que obtemos. Ter chegado esta conclusão fez com que, nos dias que correm, eu ignore 90% do espaço disponível num supermercado, que passei a ver como uma mancha extensa e colorida de embalagens e frascos, cheios de açúcar, gordura e sal. Fico-me pelos frescos, alimentos minimamente processados e um chocolate para os dias mais aborrecidos.

Aconselho vivamente às pessoas que querem mudar de hábitos, pelo menos durante uma primeira fase de aprendizagem, adaptação e escolha de melhores opções, a fazerem compras com tempo, imprescindível para ler os rótulos e até fazer pesquisas no momento. Podem também utilizar o descodificador de rótulos durante as vossas compras para vos ajudar a perceber se o alimento cumpre as recomendações da Direcção Geral de Saúde. 

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