Sacarose, frutose, lactose, dextrose, galactose, polidextrose, maltodextrina, manitol, xilitol, sorbitol, xarope de amido, xarope de glucose, xarope de milho, xarope de caramelo… O que têm todos estes nomes em comum? São diferentes aditivos que a indústria alimentar utiliza com um objetivo bem definido: adicionar açúcar aos seus produtos, camuflando a presença deste ingrediente, cuja presença nos alimentos é cada vez menos procurada devido ao crescente conhecimento dos consumidores sobre os seus efeitos nocivos, a curto e longo prazo.

A estranha omnipresença do açúcar nos alimentos tem uma explicação menos doce. Para além da função, naturalmente, de adoçar e tornar os diversos alimentos mais apelativos, a indústria alimentar usa-o para incutir dependência no consumidor. É bem conhecido que os efeitos da ingestão do açúcar, no que toca à estimulação de áreas no cérebro ligadas ao prazer, e a todo o ciclo que se segue de euforia e depressão, são equiparáveis aos que resultam do consumo de drogas como a cocaína. O açúcar causa efetivamente dependência e é-nos dado com esse objetivo.

Nas inúmeras fontes de alimentos processados, a que ainda muitos recorrem no quotidiano, sejam refeições prontas ou semi-prontas, doces, salgados, enlatados,conservas, charcutaria, molhos, fast-food, snacks, bebidas, tudo tem açúcar ou algo com um nome diferente que o substitua, sem evitar, infelizmente, as mesmas consequências negativas para a saúde. Basta verem os rótulos dos alimentos que têm na despensa e no frigorífico, e vão ficar com certeza surpreendidos com a diversidade de alimentos em que o açúcar está presente, para além daqueles em que se espera. Se a nossa alimentação for composta essencialmente por comida industrializada, ao longo do dia consumimos quantidades de açúcar muito para além do recomendável.

A Organização Mundial de Saúde aconselha a que não se exceda o consumo de 25g (mais ou menos 6 colheres de chá) de açúcar por dia, não se incluindo “o açúcar contido em frutas frescas e vegetais e nem o açúcar presente naturalmente no leite”.

Contudo vejamos alguns exemplos de alimentos simples que contribuem para esta soma:

Cereais matinais              15g de açúcar;

1 lasanha congelada       10g de açúcar;

1 iogurte líquido              20g de açúcar;

Refrigerante                     25g de açúcar;

1 café com o açúcar        5g de açúcar;

 

Com esta pequena lista triplicámos a quantidade recomendável. São pequenos exemplos do que compõe a dieta mais comum nas famílias da sociedade moderna, e não é difícil perceber porque existem cada vez mais crianças com hiperatividade ou défice de atenção e porque as doenças cardiovasculares são a causa de morte número 1.

Olhem para os rótulos e façam escolhas inteligentes!

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Algumas fontes:

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0149763407000589

http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2015/sugar-guideline/en

http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2015/03/oms-quer-reducao-do-consumo-de-acucar-livre-para-menos-de-10/#.VqwNmrKLRdg

4 pensamentos sobre “Onde está o açúcar?

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